Poesia e algo mais


EREL 2007 UFOP-MG

Dias 06, 07 e 08 de Abril de 2007



Escrito por Letras PUC-SP às 21h52
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Sarau: Êxodos 25/05/2007

 

Pessoal montando o "cenário" do sarau.

 



Escrito por Letras PUC-SP às 21h38
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Semana 23

Surgiu a partir da idéia de criar uma semana de atividades culturais no C.A. de letras durante a semana de 23 a 27 de abril de 2007. Alguns estudantes independentes, por considerarem o Centro Acadêmico um espaço para discussões, eventos, participação, entre outros e notarem esse espaço vazio de atividades, resolveram se unir e montar a "Semana 23", quando o C.A. foi "ocupado" por diferentes atividades durante toda a semana. Houve exibição do filme: "A hora da estrela", exposição de fotos, oficinas e um Sarau. Abaixo fotos do pessoal trabalhando.



Escrito por Letras PUC-SP às 21h23
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Literatura de Cordel: Vida Faminta

Não sou poeta rimador
Mas preciso te falar
Daquela hora de dor
Ao irmos se alimentar
Tendo o prato vazio
Fome iremos passar.

Com a má distribuição
A miséria é realidade
Mata muitos por ai
Afeta todas idades
Com isso vem destruindo
A grande humanidade

A fome vem aumentando
Uma coisa complicada
Poucos enchem sua barriga
E muitos não comem nada
Que o governo vai fazer
Com a pessoa insaciada.

E o projeto "Fome Zero"
O que seria a salvação
Deixou todas aspessoas
Naquela grande ilusão
Acabando com o sonho
De toda população.

Esperando isso mudar
Que parece ser difícil
Todos dão aquele jeito
Com enormes sacrifício
Se virando como pode
Dependendo só do ofício

Sem terem o que comer
Saem nas ruas pra pedir
Muitos vêem, viram o rosto
Fingindo não existir
Mas que povo egoísta
Nada querem dividir

Se com eles conversarmos
Poderemos perceber
Muitas histórias a ouvir
Mal nenhum irão fazer
E não acreditaremos
No que iremos aprender

Mas nada disso acontece
As pessoas têm ambição
Não querendo perder tempo
Porque grana é solução
Com as mentes alienadas
De assistir televisão.

Essa enorme hipocrisia
Leva o povo a chorar
Mas precisamos ser forte
Na carência alimentar
Alguns não tendo firmeza
Começa logo a roubar

Humilhados por pedir
Roubam pró próprio sustendo
Essas épocas felizes
Um dia será tormento
Pois se não se cuidarem
Viram mulher de detento.

Chamada de passa fome
Essa classe oprimida
Que eles querem realmente
É um pouco de comida
E os burgueses fala mal
Do churrasco e da bebida

Por melhores condições
Sem perder dignidade
Muitos não querem roubar
Essa vasta sociedade
Ficando sempre então Com os restos da cidade

Não tendo outra opção
No lixo irão buscar
Quem sabe aquele grão
Só pra fome enganar
Oh! Que mundo desigual
Em que ponto vai chegar?

Andando também na feira
Esperando seu final
Pa começar a colheita
Que pra muitos é normal
Disputando com cachorros
Essa sobra terminal

O desperdício é grande
Mas ninguém tem consciência
Aquilo que não prestava
É sua sobrevivência
Colhendo sempre que pode
Garantindo resistência

Sempre vão atrás da igreja
Acreditando em sua fé
Pagando varias promessas
De joelho e não de pé Por um pedaço de pão
E um copo de café

Tem gente que aproveita
Daquela vida sofrida
Explorando como pode
Prometendo dar comida
Trabalhando vinte horas
Essa é uma das saídas

Chegando antes na porta
Esperando hora e tal
Tem sol e chuva na cara
Com aquela fome animal
Pegando enormes filas
Pra comer por um real.

Malabaris no farol
Abandonando a escola
Já não jogam futebol
Com as mãos jogando bola
Pra esquecerem a fome
Acabam cheirando cola

Só comendo porcaria
Eles vão ficar doente
Mas com a barriga vazia
Muita dor é o que sente
Não sabendo o que come
Acabando com os dentes.

Sem saber onde morar
Qualquer canto se ajeitam
Malhados mais que Judas
Por aqueles que os sujeitam
Começando e comer
O que até porcos rejeitam

Trabalhou a vida inteira
No momento ta parado
Pelo motivo da pinga
Hoje é desempregado
Mas pra não lembrar da fome
Vive sempre embriagado

Com carroças pelas ruas
Vasculham cm todo canto
Procurando papelão
E trocando por um tanto
E nesse ano de eleição
Recolhe "papel de santo"

Ao ganharem algum pão
Divide tudo primeiro
Compartilhando também
Com aquele seu companheiro
Fiel amigo seu cachorro
Mais herói do que bombeiro

Pelas causas da velhice
Não conseguem trabalhar
Ficando com muita fome
E as doenças dominar
E quando eles morrerem
Nem precisam enterrar

Vão servindo de cobaia
Pra doutor de medicina
Parecendo um esqueleto
Pra eles que o examina
Precisando se nutrir
Com comida e vitamina.

Com ideia do governo
Querendo que a gente "tome"
Então poucos faz regime
E o restante passa fome
Se o povo não se cuida
Do planeta a gente "some"

Isso dito foi um pouco
Do que tenho pra falar
Se fosse falar de tudo
Haja papel pra riscar
Vou deixar essa pergunta:
E quando isso vai mudar?

Cleiton F. de Souza
Ciências Sociais - noturno



Escrito por Letras PUC-SP às 21h07
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SarAu DoS 100 nOmEs

 11/08/2006 C.A. Clarice Lispector



Escrito por Letras PUC-SP às 21h05
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ECO

Através daquele portão, havia um enorme jardim. Um jardim muito diversificado. Havia rosas vermelhas, rosas brancas, violetas, girassóis, isso sem falar nas laranjeiras, pitangueiras, bananeiras, e muitas outras árvores e pés frutíferos. Entre todas aquelas frutas, várias que eram pouco conhecidas, daquelas que caem na graça de poucos indivíduos, seja pelo preço, seja pela falta de acesso ou conhecimento. Não era um jardim comum, com aqueles típicos anões de jardim. Muito pelo contrário. A decoração ia desde estatuas de ouro até estátuas de gelo que, para não derreter, eram protegidas por um poderoso sistema de refrigeração. Também havia esculturas de ouro, prata, diamantes, adornadas com todo o tipo de pedras preciosas. Para assegurar tudo aquilo, nada melhor do que o mais eficiente sistema de segurança do mundo. Adentrando naquele grande jardim, chegava-se a um verdadeiro zoológico ao ar livre. Tinha de tudo. Desde avestruzes até micos-leões-dourados. Não havia, é claro, animais de grande porte, mas isso não tira o mérito de quem ostenta uma fauna tão rica. Assim como a coleção de estátuas e esculturas, esses animais eram controlados, monitorados, fiscalizados e assegurados pelo mesmo sistema de segurança. Nada fugia ao controle.
Depois do jardim, havia um grande espaço separando-o de uma imensa mansão. Esta, obviamente, não ficava devendo nada com relação ao jardim. Se o jardim já era exuberante, a mansão era divina, algo do outro mundo, tão exuberante que a própria palavra “mansão” não cabe na grandeza real da coisa. Era enorme, com três andares, hall de entrada, janelas com batentes folhados a ouro ou diamante, portas de cristal, eletrodomésticos de última geração dentre muitas outras coisas. Contudo, para o senhor Francisco Pereira Zuppo, o que mais importava em sua mansão, em sua vida, não eram as preciosidades, mas sim, a segurança daquilo tudo, inclusive dele próprio. Além das câmeras, gravadores e cães, que são o mínimo que qualquer ricaço desses que queira se sentir seguro deve ter, havia vários tipos de sensores e detectores. Uns captavam os mais inaudíveis sons, outros captavam a menor variação de temperatura, e aos extremos, alguns sensores captavam até mesmo forças sobrenaturais.
Naquele momento, o senhor Pereira observava, através da varanda, todo o seu patrimônio. Porém, um ruído súbito e desconhecido desviou todas as suas atenções. A primeira providência tomada fora conferir todos os alarmes, detectores e câmeras. Não houve nenhum resultado. O senhor Pereira estava assustado. O ruído por si não era assustador, mas como era desconhecido, assustava-o. Depois que todos os seguranças fizeram a revista e voltaram sem respostas, o senhor Pereira resolveu procurar por conta própria. Ele não ia admitir que nada, absolutamente nada, abalasse todos aqueles anos de investimentos.
Por mais que ele andasse, o som não mudava, não diminuía nem aumentava de volume. Parecia acompanhar cada passo dele. Mas ele não ia desistir. Nada podia burlar sua segurança. Ele tinha entender aquilo.
Quando a noite já avançava, com a lua singela e bela em sua formosura, ele se perdeu. A única coisa que sabia, era que estava no jardim. O desespero que tomou conta dele foi tão grande que não pôde mais andar, se mexer. Foi aí que ele percebeu tudo. O som vinha de dentro dele. Por mais que tivesse o melhor sistema de segurança do mundo, aquilo que incomodara sua segurança não era algo externo. Era na verdade, ele próprio.
Enquanto amanhecia, o senhor Francisco Pereira Zuppo, transformado numa estátua de pedra, ouvia, além do eco daquele ruído, o canto dos alegres e chilreantes pássaros, que pousavam e cagavam naquilo que já fora o seu corpo.

Antonio Lúcio B. Cervi
Letras:inglês - Matutino



Escrito por Letras PUC-SP às 20h57
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Viva a poesia

Viva
Viva a poesia
A poesia é livre
Livre para voar
Voar em qualquer ar
Em qualquer direção
Direção para baixo e para cima
Direita e esquerda
sem direção
Livre sim, livre não
Vai pelo mundo,irmão
É contra
É a favor da revolução
Vai pelas mentes
entrementes,desmente(s)
Viva
É livre
Liberta dos grilhões
Eternamente ou não
Eternamente sim e não
Não importa o tempo

Marcos Maciel
Jornalismo/noturno



Escrito por Letras PUC-SP às 20h56
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Amor, quando fica difícil, é isso:

(a Fernanda Guerriero Antunes e amigas que já morreram)

Estamos lá: Eu, minha casa, sair dela, o que sobrou da última festa, más memórias envenenadas, o lobo, um lobo, lobisomens, o pai, o filho, amor, afeto, ruído, um beijo que não machuca, uma porção de um bocado de coisas ainda sem-nome-completo e o Corpo: suas pontas e buracos, a pele fina, quase-alergias; dentro da barriga esse coração batendo por um pedido de carícia, do abraço demorado irrompendo medos, mesmo não sendo flores na pele, nem pipocas, mas cravos no chão; planta masculina, cheirosa, exalando o que é; cheiro-a assustado de enfim alimentar-me sendo velhorapazcriança (pequeno, por baixo da cama, escondido) sem dentes pra mastigar ou boca que não recuse um leite que não seja materno e, sem ofensas, atrás, pela frente tocando, abrindo-se, berinjelas, mamões, ar de arte aquarelado, cheiro de gauche guache branco, pincel, pênis cinzelando imagem na escultura, retrato tocável, menos que isso, um homem humano, do outro lado. Ele.

João Pires


Escrito por Letras PUC-SP às 20h55
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